terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

CDR 3 - Lamelas 1

Numa tarde de agreste frio o CDR apresentou-se no Estádio do Matão com Careca, Nuno (c), Telmo, Victor, Megane (Baba), Paulo (Nando), Nené, Oceano, Isidoro, Manu (Pingato) e Parma.

Expectativas elevadas que não foram goradas para quem assistiu a uma grande partida de futebol onde os intervenientes mostraram capacidade para disputar o resultado em qualquer campo.

O Lamelas durante os noventa minutos liderado pelo seu grande e experiente jogador de nome Celso pegou na batuta e fez nos quatro momentos do jogo uma grande partida, à qual a sua equipa deve muito quer nas transições ofensivas quer defensivas. A equipa adversária caía na esparrela do CDR.

O CDR faz do contra-ataque a sua melhor arma, arrisco-me a dizer que será difícil perder nos campos fora de casa. Apresenta duas vicissitudes. A primeira, “Estou apertado” e pensa um jogador do CDR mas na frente encontro um “pinoco”, uma referência de seu nome Parma. Marcou três golos. A segunda, nas transições defesa ataque já desenrola um futebol apoiado dando resposta a outros problemas que possam surgir.

A equipa de arbitragem bem no aspecto técnico, mal no aspecto disciplinar. O chefe de equipa devia ter expulsado o jogador Celso por acumulação de faltas perigosas.

Aos adeptos do CDR, um velho ditado “para se apanhar moscas não é com vinagre mas com mel”

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

10 – O mito do treino individualizado

Tradicionalmente, individualizar o treino é realizar programas individuais para os jogadores.

Mais uma vez Mourinho:

“Não sei onde acaba o físico e começa o psicológico ou o táctico. Para mim o futebol é globalidade, tal como o homem. Não consigo separar as coisas. Do mesmo modo, custa-me entender a evolução de um jogador à margem da evolução da equipa”

A grande preocupação da metodologia de Mourinho assenta na vivenciação aquisitiva dos princípios de jogo, o mesmo é dizer, a sua operacionalização hierarquizada. E os princípios são levados a efeito por quem? Pelos jogadores. Em determinadas posições e funções. Portanto, se são as funções diversas relativas a posições diversas, embora complementares, o que se repercute em cada uma dessas funções/posições é diverso das demais.

“A minha grande preocupação é a equipa o desempenho colectivo”

Podemos afirmar que este modelo é (co) auto-hetero. Hetero porque os princípios de jogo contemplam, fundamentalmente, relações entre vários indivíduos, ou seja, o individuo progride mas submetido a uma lógica que tem a ver também com a coexistência e crescimento dos outros, num registo comum no que se refere à concepção de jogo (e de treino). Daí o (co).

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

9 – O Mito das cargas de treino

A noção tradicionalista de carga está intimamente associada ao treino quantitativo, físico. As cargas, em volume e em intensidade, sobre alguns factores ditos nucleares é um lugar comum no processo de treino.

“ As noções de carga e de factor configuram realidades fundamentais do processo tradicional de treino mas são desprovidas de sentido da nossa metodologia”

Rui Faria

No dicionário da língua portuguesa podemos encontrar vários significados para a palavra “carga”: “tudo que pode ser transportado por pessoa, animal ou barco: acto de carregar: peso: fardo”. A noção de carga leva-nos, assim, claramente até á obsessão pela quantidade de treinar.

Aquilo que verdadeiramente se submete uma equipa e os jogadores são determinados desempenhos. Como? Através do princípio metodológico das propensões e partindo da premissa de que qualquer acção a realizar no treino assenta num determinado propósito táctico relacionado com a nossa forma de jogar.

O estimulo externo é tanto mais qualitativo quanto mais especifico for, isto é, quanto mais identificar com o jogar que se pretende.

No dicionário da língua portuguesa podemos encontrar vários significados para a palavra desempenho: “modo de representar: comportamento: actuação: grau de eficiência: rendimento”. A noção de desempenho conduz-nos então claramente à qualidade de treinar.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

A HISTÓRIA INVERTIDA DA CIGARRA E DA FORMIGA !

Lamego
Marco , Rafael , Alves , Maleiro ( cap. ) , Febras , Cruz , Gil , Cuquinho , Binaia , Ivo , Toni
Substituições : Cristiano por Toni ( 59 ´) ; Emanuel por Maleiro ( 85 ´)
Suplentes não utilizados : Marcio , Palao , Henrique , Alan , Junior
Treinador : Vitor Rebelo ( castigado e ausente do banco ) ; Febras ( Adjunto )


Moimenta da Beira
Careca , Nuno , Vitor , Humberto ( cap. ) , Telmo , Néné , Mateus , Paulo Izidoro , Parma , Oceano , Manu
Substituições : Baba por Mateus ( 57 ´) ; Nando por Paulo Izidoro ( 59 ´) ; Pingato por Manu ( 81 ´)
Suplentes não utilizados : Humberto II , Sérgio , Jorge
Treinador : Jorge Paiva ( ausente do banco por castigo )


Recompensa justa para o nunca desistir !

Tratando-se de um derby , poderiamos esperar muita luta e determinação . Uns para se manterem no topo da tabela e os da casa para continuarem na senda da recuperação .
E podemos dizer que existiu equilibrio na primeira etapa . Equilibrio no dominio e disputa de bola . Um Lamego positivo e a bater-se de igual para igual , perante um Moimenta mais personalizado , optando pela troca mais organizada de bola e apostando muito nas jogadas de bola parada . E se nesta etapa os da casa foram mais afoitos , nem por isso conseguiram ter mais oportunidades flagrantes de golo . Essas pertençeram aos visitantes . Aos 25 ´e aos 28 ´, de bola parada , e de cabeça o perigo rondou a baliza do Lamego . Estava lá um inspirado Marco . A prova disso estaria , aliás , na forma fabulosa , como evitou o que seria o golo do empate do Moimenta , ao defender um cabeceamento á queima roupa no beijar do fim da primeira parte . Pelo meio , fica o golo dos da casa . Grande penalidade aos 26 ´. É uma jogada dividida entre Telmo e Binaia , em que o defesa visitante faz uma entrada temerária aos pés do jogador do Lamego , provocando o contacto , dividido , entre a bola e o pé direito do de verde . O auxiliar levanta a bandeira . Depois baixa a mesma . O árbitro interrompe o jogo . Consulta o auxiliar e acaba por assinalar penalti , por indicação deste . Binaia factura . Lance algo caricato , este ocorrido com o auxiliar Paulo Lemos , que logo aos 6 ´apareceu estatelado no relvado , queixando-se de ter sido atingido por um objecto enviado da bancada . Situações de tensão e reprováveis , a confirmarem-se . Chegamos ao intervalo com uma vitória caseira que se baseou na oportunidade alcançada e concretizada . Jogo equilibrado .

Na segunda etapa , começamos a explicar o titulo desta crónica . Os da casa , têm vindo a demonstrar uma força de trabalho imparável . Nunca desistindo e amealhando os pontos de forma estóica e metódica . Os de fora gozam de um plantel mais equilibrado e com mais qualidade . Mas nem por isso se deixam cair no simples canto da sobrançeria do ser melhor . Trabalharam , e de que maneira , para chegar ao empate . Tornando a equipa da casa numa quase espectadora , nesta segunda etapa . Aos minutos 2 , 23 , 28 , 34 , 38 e 46 , poderiam os visitantes ter feito golo . Uma vez mais a apostar nos livres e cantos e só por uma vez de bola corrida . Por ineficácia ou oposição tenaz do guarda redes Marco , nunca o conseguiram . Pelo meio fica a expulsão do capitão do Moimenta , Humberto . Vermelho directo por suposta agressão . Mexeu o treinador visitante mas isso não diminuiu a qualidade e a intensidade do Moimenta , perante um Lamego , que se limitava a tentar não sofrer . Tentando espreitar o contra ataque por Binaia , mas sem grandes efeitos práticos . Curiosamente , foi a jogar só com dez , que a qualidade e melhor forma fisica do Moimenta mais veio ao de cima . Adivinhava-se o golo dos visitantes , mas por requintes de malvadez , para os adeptos do Moimenta , ele só surgiu na última jogada do encontro . Livre na direita e Telmo a cabecear na área , vitoriosamente , para o empate . A justiça no resultado , estava feita e nas bancadas o silêncio dos adeptos da casa comprovava isso mesmo .
Teve mais oportunidades flagrantes o Moimenta . A ter que haver um vencedor , até deveria ser esta equipa . Mas bateu-se bem o Lamego . Com mais qualidade na primeira etapa e com mais luta na segunda . Os de fora só se podem queixar da ineficácia dos seus atacantes e da inspiração de um Marco , a realizar uma excelente exibição . Poderemos aceitar um empate que penaliza uma primeira parte menos conseguida do Moimenta da Beira . O Lamego continua a sua recuperação .
Quanto ao árbitro da partida , e apesar da constante , diga-se , contestação dos adeptos da casa , essencialmente , teve uma actuação regular . Ficando marcada a sua exibição pelo lance do penalti que deu o golo ao Lamego e alguma discrepância , ao nível disciplinar para ambos os lados . Sem ser uma exibição de encher o olho , também não justificava tanta polémica por parte da assistência .


Estádio : Senhora dos Remédios
Espectadores : Cerca de 250
Árbitro : António Carlos Cardoso
Árbitros Auxiliares : Paulo Lemos e Marco Oliveira
Cartões Amarelos : Ivo ( 5´) ; Jogador do Moimenta ( ? ), ( 20 ´) ; Binaia ( 21 ´) ; Telmo ( 26 ´) ; Gil ( 29 ´) ; Rafael ( 55 ´) ; Oceano ( 62 ´) ; Maleiro ( 67 ´) ; Emanuel ( 85 ´) ;
Vermelhos : Humberto ( 69 ´)
Melhores em campo : Lamego : Marco /// Moimenta da Beira : Telmo

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

8 – O Mito do controlo quantitativo do treino

A obsessão pela dimensão física de jogar resulta do controlo da quantidade de treinar. Esta obsessão dita condição física, evidencia que a preparação da equipa seja perspectivada não de um modo global – em função de um determinado desempenho desejado – mas de um modo individualizado, caso a caso. Estes testes físicos (de terreno) são efectuados periodicamente ao longo de toda a época visando a quantificação de pretensas capacidades como a força, a velocidade, a resistência, etc. Quando algum jogador parece apresentar um decréscimo tido como significativo em algum destes parâmetros é-lhes prescrito um programa dito específico. Exemplo é o cardiofrequencímetro, para aferir, através de frequência cardíaca, a pretensa intensidade de esforço num exercício ou numa sessão de treino. Questiono. Qual será o intervalo de frequência cardíaca ideal para uma basculação colectiva à direita, para pressionar o lateral esquerdo adversário em posse de bola? Qual será o intervalo de frequência cardíaca ideal o pivot queime, com regularidade, estações de passe em transição defesa-ataque? Mourinho é claro: “testes físicos?! É uma questão de crença. Eu não acredito…”

Eu acrescento, a operacionalização de um modelo de jogo baseia-se na repetição sistemática de um complexo exercícios que permita chegar à consolidação dos princípios do nosso modelo de jogo para que a quantificação falada anteriormente seja a qualidade do treinar, para tornar viável o jogar!

Quantas equipas não estão completamente perdidas, muitas vezes, no terreno de jogo?

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

7 – O desmontar do mito dos treinos de conjunto

Na norma tradicional de treinar aparecem os treinos de conjunto habitualmente às Quintas-Feiras quando o jogo é ao Domingo. E muitas vezes, substituídos por jogos-treino. “ Se há treino específico, é o treino de conjunto”.

A estrutura do treino, configurada nos exercícios, não promove a imprevisibilidade que o jogo contém. Qualquer exercício que se proponha aos jogadores não faz emergir algo que os jogadores não controlam, não prevejam. Por exemplo, num exercício simples de finalização. Não é a mesma coisa um jogador conduzir a bola e pisá-la à entrada da área para um colega que aparece nas suas costas a rematar e ir um jogador sozinho conduzir a bola até à entrada da área e rematar. No primeiro caso, o jogador não controla tudo. Portanto se o jogo não é linear os exercícios devem ser não lineares.

A opinião de Mourinho

“Treinos de conjunto? Não faço. Porque não acredito. Para mim, treinar é treinar em especificidade, é criar exercícios que me permitam exacerbar os meus princípios de jogo. E os treinos de conjunto pouco ou nada têm de especifico. São treinos generalistas”.

“É verdade que alguns dos seus treinadores fazem treinos de conjunto, nesse contexto global, preocupando-se apenas com uma parcela do seu jogar de cada vez – primeira fase de construção, basculações do bloco defensivo, equilíbrio defensivo no ataque e adaptações posicionais, etc – mas isso é medíocre metodologicamente sobretudo quando limitam as unidades de treino a esse tipo de situações”.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

6º O Mito da recuperação convencional

Em virtude de amanhã ser já 2009, quinta-feira, faço hoje menção à publicação desta semana.

Desejo a toda a Família do CDR e desportistas em geral um Grande Ano.

Declarações como «tivemos pouco tempo para recuperar», «houve jogo a meio da semana e a equipa acusou o esforço» e «a época foi longa e cansativa e nesta fase paga-se a factura» são mais que usuais. Não existe treinador nenhum que diga que a recuperação não é fundamental a dois níveis: fadiga física e fadiga mental-emocional. Porem, o discurso não é percurso, dizer não é fazer.

Façam esta pequena reflexão, com que o inevitável Mourinho considera:

“Em Portugal joga-se à Quarta-Feira e pede-se para o jogo do campeonato passe para a Segunda-Feira. Mas treina-se Quinta, Sexta, Sábado e Domingo. É um absurdo”

“Em Portugal treina-se de mais quando se perde. Os treinadores, talvez pela influência dos conceitos relativos à quantidade – que para muitos o mais importante – e por receio de serem criticados pela pouca quantidade de trabalho, estragam o processo todo”

Rui Faria acrescenta:

“Quando falamos em intensidade falamos de intensidade de concentração, porque jogar é fundamentalmente, pensar, e pensar exige concentração. E, se falamos de um jogo de qualidade, falamos tendo em conta um referencial colectivo – determinados princípios de jogo – e isso exige mais concentração. Não é, por isso, de estranhar que a fadiga táctica surja antes da fadiga física.”

Já Mourinho:

“A concentração dos jogadores pode e deve ser treinada. Como? Construindo exercícios que exijam essa concentração. Exercícios em que os jogadores sejam obrigados a pensar, a comunicar entre si. Por isso, os exercícios não podem ser demasiado fáceis e, quando os jogadores já conseguem resolver os problemas, tenho que ir à procura de novos exercícios.”

Para terminar:

“Os meus treinos não são treinos demorados. Nunca duram mais de hora e meia. Porque? Porque para os jogadores cumprirem os objectivos dos exercícios tem de estar concentrados. E a experiência diz-me que treinar mais do que isso leva a perda de qualidade, por perdas de concentração.”